O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou dados que mostram que o Brasil alcançou, em 2025, o maior número de empresas importadoras da série histórica. Ao todo, o país encerrou o ano com 60.115 negócios atuando nas importações, crescimento de 7,6% em relação a 2024.
Segundo o levantamento, o avanço foi impulsionado principalmente pelas micro e pequenas empresas. As Microempresas (MEs) e os Microempreendedores Individuais (MEIs) registraram crescimento de 10,2% no número de importadoras, chegando a 15.749 empresas — cerca de 1,5 mil a mais do que no ano anterior.
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Já as Empresas de Pequeno Porte (EPPs) totalizaram 14.367 importadoras, com alta de 8,8%. As médias e grandes empresas também cresceram, embora em ritmo menor, somando 29,11 mil companhias, avanço de 5,5%.
De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o crescimento das pequenas importadoras está ligado à expansão do comércio eletrônico internacional, ao fortalecimento dos marketplaces globais e às iniciativas de desburocratização dos processos de importação.
Plataformas digitais como o Alibaba também contribuíram para aproximar micro e pequenos empresários brasileiros de fornecedores internacionais, reduzindo barreiras consideradas complexas até poucos anos atrás.
O movimento aparece de forma significativa nas importações vindas da China realizadas por MEs e MEIs brasileiros. Em 2019, esse grupo importava US$ 328,3 milhões do país asiático. Em 2025, o volume ultrapassou US$ 1,03 bilhão, crescimento de 214,6% em seis anos.
Exportações também atingem recorde
O Brasil também registrou recorde no número de empresas exportadoras em 2025. Segundo o MDIC, o país fechou o ano com 29.818 empresas exportando produtos, crescimento de 3,4% em comparação com o ano anterior.
As médias e grandes empresas representam a maior parte desse total, com 17.764 exportadoras, equivalentes a 59,6% do total nacional. O segmento apresentou crescimento de 3,4%.
As EPPs exportadoras somaram 5.655 companhias, alta de 3,2%, enquanto MEs e MEIs chegaram a 6.167 empresas exportadoras, crescimento de 3,6%, representando 20,7% do total.
A participação conjunta de MEs, MEIs e EPPs entre os exportadores brasileiros aumentou de uma média de 30,6%, entre 2008 e 2018, para 39,6% em 2025.
Apesar dos avanços, o presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo, Rubens Medrano, avalia que o Brasil ainda possui baixa participação no comércio internacional diante do universo de aproximadamente 24,9 milhões de empresas ativas no país.
Segundo ele, fatores como burocracia, gargalos logísticos, falta de mão de obra qualificada, tarifas elevadas e baixa integração às cadeias globais de valor continuam sendo os principais desafios para ampliar a internacionalização das empresas brasileiras.
A FecomercioSP defende que medidas de abertura comercial e simplificação de processos são fundamentais para aumentar a competitividade, ampliar a produtividade e facilitar o acesso a produtos, tecnologias e insumos de maior valor agregado.
