Um ano após um mutirão oftalmológico realizado no Hospital de Clínicas de Campina Grande, pacientes que sofreram complicações graves, incluindo casos de cegueira irreversível, continuam à espera de respostas e da conclusão do inquérito policial.
O procedimento foi realizado em 15 de maio de 2025, quando mais de 60 pessoas passaram por aplicações intraoculares dentro do programa Opera Paraíba, do Governo do Estado. Quase metade dos pacientes apresentou infecções e outras complicações após o atendimento.
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A contratação do mutirão foi feita com a Fundação Rubens Dutra Segundo, que repassou a execução à oftalmologista Naiara Cavalcante Furtado. Segundo o Ministério Público da Paraíba, a médica foi a responsável pelos procedimentos.
Pacientes relatam sequelas permanentes
Entre os afetados está Marinildo Pereira, de 60 anos, que perdeu de forma irreversível a visão de um dos olhos após contrair uma infecção bacteriana. Segundo a família, ele recebeu tratamento pela rede estadual, mas hoje enxerga com baixa visão no único olho funcional e enfrenta dificuldades para voltar ao trabalho.
A professora Errta Riany também perdeu a visão de um dos olhos e foi diagnosticada com visão monocular. Ela relata dores frequentes e afirma se sentir abandonada por falta de acompanhamento psicológico e de retorno médico para retirada de óleo de silicone implantado em cirurgia posterior.
Ações judiciais e investigação em andamento
Parte dos pacientes ingressou com ações judiciais contra a Secretaria de Estado da Saúde e a fundação contratada. O inquérito policial que apura o caso ainda não foi concluído.
O que dizem os envolvidos
Em nota, a Fundação Rubens Dutra Segundo afirmou que todos os procedimentos foram realizados de acordo com as normas técnicas e sanitárias e alegou que as infecções teriam sido causadas por bactérias presentes no ambiente hospitalar.
A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba informou que os pacientes seguem em acompanhamento pela rede credenciada de oftalmologia e que o período inicial de assistência é de um ano, podendo ser prorrogado conforme a necessidade clínica de cada caso. Segundo a pasta, os pacientes podem procurar diretamente as unidades ou solicitar atendimento por meio da regulação, sem necessidade de enfrentar filas.
