O Governo da Paraíba alcançou, na sexta-feira (21), um marco inédito na rede pública de saúde ao realizar o primeiro transplante cardíaco pediátrico da história do estado. O procedimento, feito pelo SUS no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, representa um avanço na capacidade de atendimento de alta complexidade e amplia o acesso a serviços especializados.
O paciente é um adolescente de 14 anos, natural de Santana dos Garrotes, no Sertão, acompanhado pelo serviço desde os 13. Ele possui displasia arritmogênica do ventrículo direito, doença genética que compromete o músculo cardíaco e pode causar arritmias graves. Segundo a cardiologista Roberta Barreto, integrante da equipe de transplantes, o jovem já havia implantado um cardiodesfibrilador em 2023 e entrou na lista de espera em 14 de novembro.
Diante da urgência, o transporte do adolescente para João Pessoa foi realizado na quarta-feira (20) pelo Grupo de Resgate Aeromédico da Paraíba, em aeronave do Corpo de Bombeiros. A captação do órgão ocorreu no Hospital de Trauma de Campina Grande, onde o doador — um jovem de 30 anos — estava internado. O deslocamento foi feito por equipes aéreas do Grame, do helicóptero Acauã e do GTA da Polícia Militar, em uma operação integrada que reduziu significativamente o tempo de resposta.
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Para a PB Saúde, responsável pela gestão do Hospital Metropolitano, o transplante consolida a instituição como referência também no atendimento pediátrico de alta complexidade. A diretora Ilara Nóbrega destacou que o serviço já era habilitado em transplantes cardíacos adultos e agora expande sua atuação, reforçando o compromisso do estado em oferecer tratamento de excelência sem que pacientes precisem se deslocar para outros centros.
A ação teve ainda forte impacto social, conforme pontuou a coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos, Patrícia Monteiro, ao lembrar da importância da decisão das famílias doadoras. Além do coração destinado ao adolescente, rins, fígado e córneas também foram aproveitados, beneficiando pacientes na Paraíba, Pernambuco e Bahia. No centro cirúrgico, cerca de 10 profissionais participaram diretamente do procedimento, o nono transplante cardíaco do hospital em 2025.
De acordo com a Central Estadual de Transplantes, todo o processo — da entrada na lista até a cirurgia — ocorreu em menos de 30 dias, após a fila ser zerada no fim de setembro. Para o diretor-superintendente da PB Saúde, Jhony Bezerra, o feito representa um avanço técnico e humano, simbolizando esperança renovada para o adolescente e sua família, e reafirmando o fortalecimento do SUS e da rede de alta complexidade no estado.
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