Falta de planejamento financeiro aumenta dependência do INSS e ameaça aposentadoria

0
FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil)
Publicidade

A falta de planejamento financeiro para a aposentadoria pode comprometer o futuro de milhões de brasileiros. Dados do Raio X do Investidor Brasileiro 2025, realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) em parceria com o Datafolha, mostram que 60% das pessoas que ainda estão na ativa esperam depender do INSS para se manter financeiramente após a aposentadoria.

Na prática, porém, a dependência da previdência pública é ainda maior. Entre os aposentados entrevistados, 93% apontam o INSS como principal fonte de renda. Ao mesmo tempo, somente 16% da população afirmam já ter começado a construir uma reserva financeira para a aposentadoria.

Os números revelam um descompasso entre a expectativa dos trabalhadores e a preparação efetiva para o futuro. Com pouco planejamento e alta dependência da previdência pública, parte da população pode enfrentar redução significativa da renda, necessidade de continuar trabalhando por mais tempo ou até adiamento da aposentadoria.

“O grande desafio não é só depender do INSS, mas depender exclusivamente dele. Sem uma renda complementar, a tendência é que o padrão de vida caia de forma relevante”, afirma Hugo Cirne, líder da XP na Paraíba.

O problema também está relacionado à falta de urgência para começar a investir. Como a aposentadoria costuma ser vista como um objetivo distante, muitas pessoas deixam o planejamento para depois. Com isso, o tempo, que poderia favorecer a formação de uma reserva, passa a exigir um esforço financeiro maior no futuro.

Na Paraíba, o cenário ganha importância diante do rápido envelhecimento da população. Entre 2010 e 2022, o número de pessoas com 60 anos ou mais no estado passou de 343.300 para 615.328, crescimento de aproximadamente 79%, segundo os Censos Demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2022, os idosos representavam aproximadamente 15,5% da população paraibana, que naquele ano somava 3.974.687 habitantes.

O estado também apresentou um dos maiores índices de envelhecimento do Nordeste. Conforme o Censo 2022, havia cerca de 74 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0 a 14 anos.

A maior longevidade da população reforça a necessidade de planejamento. Segundo as Projeções da População do IBGE – Revisão 2024, a expectativa de vida na Paraíba supera 75 anos. Isso significa que os recursos acumulados para a aposentadoria precisarão sustentar as pessoas durante um período cada vez mais longo.

Falta de planejamento aumenta o risco financeiro

O levantamento mostra que o planejamento de longo prazo ainda não faz parte da rotina financeira da maioria da população. Despesas imediatas, renda limitada e dificuldade para formar reservas contribuem para que a aposentadoria seja deixada em segundo plano.

“Existe uma sensação de que ainda dá tempo, mas quanto mais se adia o início, maior precisa ser o esforço lá na frente. Começar cedo faz toda a diferença”, explica Hugo Cirne.

Mesmo para quem possui renda mais limitada, especialistas defendem que o planejamento pode começar com pequenos valores e aportes regulares. O primeiro passo é organizar o orçamento, identificar despesas e criar o hábito de reservar uma parcela da renda para objetivos de longo prazo.

Depois, é possível buscar alternativas para formar uma renda complementar à aposentadoria, sempre considerando o perfil e os objetivos de cada investidor. Entre as opções estão investimentos de renda fixa, fundos e outros ativos, além da previdência privada.

Entre os planos mais conhecidos estão o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre). O PGBL pode ser vantajoso para pessoas que fazem a declaração completa do Imposto de Renda, pois as contribuições podem ser deduzidas dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Já o VGBL costuma ser utilizado por quem opta pela declaração simplificada ou procura uma alternativa para planejamento patrimonial e sucessório.

“A aposentadoria não se constrói de uma vez só. É um processo. O mais importante é começar e manter consistência”, ressalta o especialista.

O avanço da educação financeira ainda não se converteu em preparação suficiente para a aposentadoria. Caso o comportamento atual permaneça, a tendência é de que a dependência da previdência pública continue elevada justamente em um cenário de envelhecimento e aumento da longevidade.

Diante disso, planejar a aposentadoria deixa de ser apenas uma escolha e passa a ser uma necessidade para quem busca preservar a autonomia financeira e manter a qualidade de vida na terceira idade.

Publicidade