Empresário é preso suspeito de violência doméstica em João Pessoa

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Uma mulher que denunciou o empresário Alysson Campelo Catuhyte Wanderlei por violência doméstica relatou que passou a viver com medo e sob controle durante o relacionamento. O empresário foi preso em flagrante na sexta-feira (14), em João Pessoa, suspeito de lesão corporal e ameaça no contexto da violência doméstica.

Em entrevista à TV Cabo Branco, a vítima afirmou que passou a se culpar pelas situações vividas e que o medo afetou sua saúde mental.

“Comecei a colocar condições, em mim, de culpa. Hoje eu me vejo como culpada, sei que não é. Tinham muitas falas que eu, por amar, por não querer que a família acabasse, terminava aceitando e o medo está me adoecendo por dentro”, relatou.

Segundo a mulher, o comportamento do companheiro mudou depois que os dois passaram a morar juntos. Ela contou que, no início, considerava o relacionamento bom e descrevia o empresário como uma pessoa carinhosa e divertida. Depois, porém, percebeu situações de estresse, controle e violência verbal.

“O meu início com ele foi a melhor relação da minha vida, de poucas que eu já tive. Ele era uma pessoa maravilhosa, engraçada. Quando eu moro com ele, eu começo a entender que ele não era aquilo. Começa a aparecer aquele cara extremamente estressado. Era o que ele trazia pra mim. Comecei a acreditar que não era uma violência verbal”, contou.

A vítima também afirmou que perdeu o contato com amigas e passou a evitar falar com a própria mãe. De acordo com o relato, a rotina dentro de casa era monitorada por câmeras, além de haver restrições sobre onde ela poderia ir e com quem poderia conversar.

“Eu perdi minhas amigas e eu comecei a entender: não era pra eu ligar pra minha mãe, ele não gostava. Minha casa era monitorada em todos os aspectos e eu não podia ter acesso às câmeras. Ele estava vendo o dia todo onde eu estava. Eu não saía de casa porque até no trinco tinha monitoramento. Ele mandava em tudo. Ele condicionava tudo”, disse.

A mulher afirmou que nunca havia registrado um Boletim de Ocorrência porque não reconhecia o que estava vivendo como violência doméstica.

“Eu nunca cheguei a fazer um boletim de ocorrência. Eu não assumia nada. Graças a Deus não aconteceu o pior comigo. A partir de hoje preciso ter força. Preciso pedir e ter essa proteção. Eu apelo ter segurança na minha vida”, afirmou.

Além da prisão, a Justiça determinou uma medida protetiva de urgência em favor da vítima. As defesas da mulher e do suspeito não quiseram comentar detalhes do processo.

Em vídeo enviado para a Rede Paraíba, a defesa do empresário afirmou que mantém respeito ao Poder Judiciário e às instituições do sistema de Justiça. Também informou que continuará utilizando os instrumentos jurídicos cabíveis para garantir o contraditório, a ampla defesa e o devido processo legal.

A vítima disse que o momento da perícia fez parte de um processo de recomeço e de reconhecimento da situação que estava vivendo.

“Dói porque eu olhava pra uma pessoa que eu amei. E, de repente, vendo aquela cena, eu não acreditava que estava vivendo aquilo. Eu não acreditava que eu estava fazendo uma perícia. Hoje eu enxergo que foi isso que me deu um novo recomeço. Por mais empoderada em algum momento da vida que eu fui, nesse momento eu caí, mas hoje seria um recomeço para eu entender que mulher precisa ter o lugar dela”, finalizou.

A Polícia Civil informou que investiga o caso e reforçou a importância de denúncias de violência doméstica.

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