Dois homens foram presos na manhã desta sexta-feira (9) durante protestos realizados por moradores da comunidade Paulo Afonso, em João Pessoa, após a morte de um jovem de 22 anos baleado em uma ação da Polícia Militar. As manifestações resultaram na interdição da via que liga os bairros de Jaguaribe e Rangel.
De acordo com o comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Bruno, os presos são suspeitos dos crimes de desordem, desobediência e depredação do patrimônio público. Durante o protesto, moradores incendiaram um carro e outros objetos para bloquear a passagem de veículos na região.
Os manifestantes criticavam uma ronda policial realizada na noite da quinta-feira (8). Segundo a versão da Polícia Militar, equipes da força tática abordaram o jovem, que estaria portando uma sacola plástica. Ainda conforme a PM, ele teria sacado um revólver e efetuado disparos contra os policiais, que reagiram.
O jovem foi atingido e socorrido para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Em entrevista à TV Cabo Branco, o tenente-coronel Bruno afirmou que a ocorrência aconteceu durante o reforço do patrulhamento na comunidade e classificou a ação policial como uma resposta à “injusta agressão”. Com o jovem, a PM informou ter apreendido um revólver, material entorpecente, um equipamento para recarga de munições, além de dinheiro e munições.
A Polícia Militar também afirmou que há informações preliminares sobre possível envolvimento do jovem em outras ações criminosas e que um irmão dele está preso. O comandante declarou ainda que, em visitas posteriores à comunidade, moradores não quiseram relatar supostas irregularidades cometidas por policiais. Ele ressaltou que, até que se prove o contrário, a versão apresentada pelos agentes é considerada verdadeira, destacando que a corporação está à disposição para prestar esclarecimentos.
Por outro lado, um representante da comunidade afirmou à TV Cabo Branco que o jovem não teria trocado tiros com a polícia e que estava apenas na rua no momento da abordagem. Segundo ele, a vítima era pai de três filhos e trabalhava como marceneiro.
Durante a manhã, o Corpo de Bombeiros negociou a liberação da via e a saída dos manifestantes. No entanto, a retirada de um carro queimado e de outros objetos destruídos ainda dependia da chegada da Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (Emlur). Após os protestos, a Polícia Militar manteve efetivo distribuído em pontos estratégicos da comunidade.
