Filme sobre Eunice Paiva vence Oscar e destaca luta por direitos humanos no Brasil

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O filme “Ainda Estou Aqui”, inspirado na história da advogada e ativista Eunice Paiva, venceu o Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional. A produção retrata a trajetória de Eunice, que assumiu a responsabilidade pela família após o assassinato de seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, durante a Ditadura Militar no Brasil. Ela se tornou um nome fundamental na defesa dos direitos humanos e dos povos indígenas.

A história de Eunice Paiva

Após perder o marido, Eunice se formou em Letras e, mais tarde, em Direito, especializando-se na luta pelos direitos indígenas. Em 1987, ajudou a fundar o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (Iama), voltado para a defesa dos povos originários. No ano seguinte, atuou como consultora na elaboração da Constituição de 1988, garantindo avanços nos direitos dos indígenas e na justiça para vítimas da ditadura.

Eunice também foi peça-chave na criação da Lei 9.140/1995, que reconheceu oficialmente os desaparecidos políticos como mortos pelo Estado. Em 1996, após 25 anos de luta, conseguiu o atestamento oficial da morte de Rubens Paiva, um marco na busca por justiça.

Ela faleceu em 2018, aos 86 anos, após viver 14 anos com Alzheimer.

Defesa dos povos indígenas

Eunice teve um papel essencial na demarcação da Terra Indígena Zoró (TIZ), no Mato Grosso. Sua atuação, junto à antropóloga Betty Mindlin, garantiu que os direitos dos indígenas fossem reconhecidos juridicamente. De acordo com o professor Carlos Trubiliano, da Universidade Federal de Rondônia, sem essa intervenção, o povo Zoró poderia ter sido extinto.

Memória e verdade sobre a ditadura

A luta de Eunice faz parte de um esforço maior para reconhecer os crimes da Ditadura Militar. Segundo uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), certidões de óbito de vítimas da repressão agora devem registrar que a causa da morte foi violenta e causada pelo Estado.

O caso de Rubens Paiva, morto sob tortura em 1971, é um dos mais emblemáticos desse período. Eunice e sua filha também foram presas na época, mas ela nunca desistiu de buscar justiça.

A vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar 2025 reforça a importância dessa história e mantém vivo o legado de Eunice Paiva na defesa dos direitos humanos, da memória e da verdade.

Contém informações agênciagov

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