No Brasil, todos os anos, mais de 11 mil partos são de meninas menores de 14 anos que sofreram violência sexual, um crime grave que a lei chama de estupro de vulnerável. A pena para quem comete esse crime vai de dois a cinco anos de prisão.
Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) analisou mais de 1 milhão de partos entre 2020 e 2022 e revelou que 40% dessas meninas começam o pré-natal só depois do terceiro mês de gravidez. Esse atraso pode prejudicar a saúde da mãe e do bebê, já que o pré-natal é essencial para acompanhar a gestação, garantir vacinas e realizar exames importantes.
A situação é pior em algumas regiões do país. No Norte, quase metade dessas meninas só começa o pré-natal depois dos três meses, enquanto no Sudeste esse número é de 33%. As meninas indígenas e aquelas com menos de quatro anos de estudo são as que mais enfrentam atrasos nesse atendimento.
Outro dado preocupante é que uma em cada sete adolescentes começa o pré-natal depois de 22 semanas, o que reacende o debate sobre o limite de tempo para aborto legal em casos de estupro.
Os números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que a violência sexual contra menores é uma realidade crescente. Em 2022, foram registrados quase 49 mil casos de estupro de vulnerável, o maior número nos últimos anos.
Especialistas alertam que esses dados revelam a necessidade de mais proteção para as meninas e políticas de saúde que atendam melhor essas vítimas.
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