A cirurgia foi realizada na noite da quinta-feira (14), após exames confirmarem o diagnóstico de paraplegia no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. O procedimento teve como objetivo tratar uma fratura na coluna vertebral associada à compressão medular.
De acordo com o hospital, a cirurgia incluiu estabilização da coluna por meio de artrodese toracolombar, além de descompressão medular e alinhamento da fratura. Ainda não há informações sobre uma possível reversão do quadro de paraplegia.
A paciente sofreu a lesão após o elevador despencar do terceiro andar do edifício residencial. No momento do acidente, ela estava acompanhada dos dois filhos, de três e cinco anos, que sofreram apenas escoriações leves e receberam alta médica no dia seguinte.
Segundo informações divulgadas anteriormente pelo diretor do Hospital de Trauma, Laécio Bragante, a mulher é natural do Suriname e mora com a família na Holanda. Ela teria se mudado recentemente para João Pessoa por gostar do clima da cidade e trabalhar em regime remoto.
Condomínio já cobrava troca dos elevadores na Justiça
Antes do acidente, o condomínio já havia acionado judicialmente a construtora responsável pelo empreendimento, alegando falhas estruturais e problemas recorrentes nos elevadores.
O processo tramita na 7ª Vara Cível da Capital e aponta registros de travamentos, interrupções constantes, falhas em sistemas de segurança e até episódios anteriores envolvendo os equipamentos.
Um laudo técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 recomendou a substituição completa do elevador do Bloco B, onde ocorreu o acidente. O documento apontou falhas consideradas graves, como ausência de iluminação de emergência, problemas no aterramento elétrico, falta de dispositivos de resgate emergencial e inadequação da máquina de tração à capacidade da estrutura.
Em janeiro deste ano, a Justiça determinou a substituição dos elevadores, mas a construtora recorreu da decisão e o processo segue em andamento.
Em nota, a construtora informou que a responsabilidade pela manutenção dos elevadores é do condomínio desde a entrega do empreendimento, realizada em setembro de 2023, e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Moradores iniciaram resgate antes da chegada do socorro
Após a queda, a mulher e as duas crianças ficaram presas no fosso do elevador. Moradores do condomínio conseguiram abrir a cabine e iniciaram o resgate antes da chegada das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros.
A administração do condomínio informou que vem prestando assistência às vítimas e reforçou que já havia relatado problemas técnicos nos elevadores desde a entrega do residencial.
