Quase um terço das mulheres no mundo — cerca de 840 milhões — já foi vítima de violência doméstica ou sexual ao longo da vida, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (19) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O número pouco mudou desde o ano 2000, revelando que o combate ao problema avança lentamente. Só nos últimos 12 meses, 316 milhões de mulheres com 15 anos ou mais sofreram violência física ou sexual cometida por parceiros íntimos.
LEIA TAMBÉM: João Azevêdo destaca obras que tornam a Paraíba polo de investimentos no Cobreap
O documento traz, pela primeira vez, estimativas sobre violência sexual praticada por não parceiros, que atinge 263 milhões de mulheres globalmente. A OMS reforça que esses dados são subnotificados devido ao estigma e ao medo. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou o cenário como uma das mais antigas injustiças da humanidade, ressaltando que nenhuma sociedade é justa ou saudável quando metade da população vive com medo.
O relatório aponta que a violência começa cedo: 12,5 milhões de adolescentes entre 15 e 19 anos foram vítimas de violência física ou sexual por parceiros no último ano. O problema atinge todas as regiões, mas de forma desigual. Em países menos desenvolvidos ou afetados por conflitos e mudanças climáticas, a prevalência é maior. Na Oceania, excluindo Austrália e Nova Zelândia, a taxa de violência por parceiro chegou a 38%, mais que o triplo da média global.
A OMS reforça que mulheres que sofrem violência enfrentam riscos como gestações indesejadas, infecções sexualmente transmissíveis e depressão. A entidade cobra respostas governamentais mais rápidas, com ampliação de programas de prevenção, fortalecimento dos serviços de apoio, melhoria dos sistemas de dados e garantia da aplicação de leis que protejam e empoderem mulheres e meninas.
SIGA: @INFONEWSPARAÍBA
