O Governo da Paraíba iniciou o planejamento de ações para enfrentar os possíveis impactos do fenômeno El Niño no estado. O tema foi discutido em uma reunião realizada na tarde desta quarta-feira (9), pela Secretaria de Estado da Infraestrutura e dos Recursos Hídricos (Seirh), com representantes de 17 órgãos da administração direta e indireta.
A iniciativa busca reunir diferentes competências do Governo do Estado para subsidiar a elaboração de um decreto governamental que deverá criar uma estrutura permanente para monitoramento, preparação e resposta aos eventos climáticos extremos.
A proposta prevê a criação do Comitê Estadual de Monitoramento, Preparação e Resposta aos Eventos Climáticos Extremos, da Câmara Técnica Permanente de Monitoramento e Avaliação de Impactos Climáticos e da Sala Estadual de Situação.
A reunião aconteceu no auditório da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e foi aberta pela chefe de gabinete da Seirh, Daniele Machado, que representou o secretário da Infraestrutura e dos Recursos Hídricos, Jovanio Silva.
Segundo Daniele, a organização entre os órgãos é importante para permitir o compartilhamento de dados e recursos e, dessa forma, elaborar medidas conjuntas para reduzir os possíveis impactos provocados pelo fenômeno.
Estrutura deverá integrar diferentes órgãos
A diretora executiva de Proteção e Defesa Civil, Márcia Andrade, apresentou um vídeo sobre governança interinstitucional e ações preventivas para a Paraíba. O material abordou o fenômeno El Niño, seus possíveis efeitos no estado e as atribuições de cada órgão envolvido na tomada de decisões e na operação.
De acordo com Márcia, a proposta pretende organizar uma estrutura que já existe para que ela passe a funcionar de maneira permanente, sistemática e coordenada.
“A proposta institui três instrumentos complementares: o Comitê é a instância estratégica; é onde os diferentes órgãos estarão reunidos para avaliar cenários, estabelecer prioridades, acompanhar as medidas setoriais, articular o apoio aos municípios e fornecer subsídios para as decisões do Governo do Estado.”
Segundo a diretora, a Câmara Técnica será responsável por integrar os dados produzidos pelos órgãos especializados e transformá-los em uma avaliação conjunta dos riscos.
Na Paraíba, a Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa) atua nas áreas meteorológica, climatológica, hidrológica e de recursos hídricos.
Já a Sala Estadual de Situação deverá funcionar como braço operacional da estrutura, permitindo o acompanhamento contínuo dos riscos, a consolidação de informações e a identificação de situações críticas.
Entre os eventos que poderão ser monitorados estão estiagens, ondas de calor, incêndios, situação dos reservatórios e demandas apresentadas pelos municípios. A estrutura também deverá produzir relatórios para auxiliar as decisões do Governo do Estado.
Defesa Civil quer fortalecer atuação dos municípios
Márcia Andrade destacou que a Defesa Civil Estadual terá o papel de integrar as competências dos diferentes órgãos para que funcionem de forma coordenada.
“O decreto pretende organizar a estrutura que já existe para que ela funcione de maneira permanente, sistemática e coordenada, além de fortalecer as Defesas Civis municipais, lembrando que o desastre acontece no município.”
A proposta, portanto, busca não apenas acompanhar os efeitos dos eventos climáticos, mas também melhorar a articulação entre Estado e municípios para ações de prevenção e resposta.
El Niño pode provocar tempo mais quente e seco
O El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
De acordo com o informe climático da Aesa citado na reunião, a Paraíba tem perspectiva de tempo mais quente e seco, chuvas mais irregulares e tendência de precipitações abaixo da média histórica. O documento aponta ainda previsão de intensificação do fenômeno entre outubro e novembro de 2026.
Os efeitos do El Niño variam conforme a região do Brasil. No Nordeste, uma das principais preocupações é a possibilidade de redução ou irregularidade das chuvas associada a temperaturas mais elevadas.
Em 2026, também foi estruturado o Painel El Niño 2026–2027, resultado de uma atuação conjunta entre órgãos como Inpe, Inmet, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil e Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. A iniciativa prevê boletins periódicos de monitoramento, previsão e orientação sobre os possíveis impactos do fenômeno.
17 órgãos participaram da reunião
Além da Seirh e da Defesa Civil Estadual, participaram representantes de diferentes áreas do Governo da Paraíba, incluindo:
- Secretaria de Estado da Saúde (SES);
- Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh);
- Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas);
- Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca (Sedap);
- Secretaria de Estado da Agricultura Familiar e Desenvolvimento do Semiárido (Seafds);
- Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz);
- Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag);
- Casa Civil do Governador;
- Secretaria de Governo;
- Secretaria de Estado do Desenvolvimento e Articulação Municipal (Sedam);
- Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties);
- Procuradoria Geral do Estado (PGE);
- Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa);
- Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa);
- Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema);
- Departamento de Estradas de Rodagem (DER);
- Corpo de Bombeiros.
