Cientistas identificaram um objeto escuro de baixa massa que pode ajudar a compreender a natureza da matéria escura, um dos maiores mistérios da astronomia. A descoberta foi feita por meio de técnicas de imagem gravitacional e modelagem paramétrica.
Segundo informações divulgadas pelo portal R7, o objeto é tão difícil de observar que sua identificação ocorreu inicialmente por meio de uma técnica de imagem gravitacional não paramétrica. Posteriormente, a descoberta foi confirmada por uma modelagem paramétrica independente.
O estudo foi publicado na revista científica Nature, em outubro do ano passado.
A revista britânica especializada em astronomia BBC Sky at Night descreveu o objeto como um possível aglomerado de matéria escura até 100 vezes menor do que qualquer outro já detectado. Outra hipótese levantada pelos pesquisadores é que o corpo seja uma galáxia anã compacta e inativa.
“É um feito impressionante detectar um objeto de massa tão baixa a uma distância tão grande de nós”, afirmou Chris Fassnacht, professor do Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Califórnia e um dos autores do estudo.
Segundo o pesquisador, a descoberta pode contribuir para o avanço dos estudos sobre a matéria escura.
“Objetos como este são fundamentais para compreendermos a natureza da matéria escura.”
O que é matéria escura?
A matéria escura continua sendo um dos grandes enigmas estudados pelos astrônomos. A Nasa utiliza a expressão “cola invisível” para explicar o papel desse componente na estrutura do Universo.
Apesar de não poder ser observada diretamente, os cientistas sabem que a matéria escura exerce influência gravitacional sobre a matéria comum e contribui para manter estruturas cósmicas unidas.
As estimativas indicam que a matéria escura corresponde a aproximadamente 27% do Universo, enquanto a matéria comum representa cerca de 5%. A maior parte restante é atribuída à energia escura.
Por que a matéria escura é difícil de observar?
A dificuldade está relacionada às características da matéria escura. Ela interage com a matéria comum por meio da gravidade, mas não aparenta interagir com o espectro eletromagnético, incluindo a luz visível.
Por esse motivo, a matéria escura não absorve, reflete ou emite luz de maneira detectável, o que impede sua observação direta pelos métodos tradicionais utilizados para estudar objetos astronômicos.
A descoberta do novo objeto pode, portanto, oferecer uma oportunidade para os cientistas investigarem estruturas de pequena massa e ampliarem o conhecimento sobre a composição e a evolução do Universo.
