Preservar o patrimônio familiar ao longo das gerações exige mais do que disciplina financeira. Para especialistas, é fundamental estruturar um planejamento sucessório, capaz de assegurar a continuidade dos bens, reduzir custos, evitar conflitos entre herdeiros e trazer eficiência jurídica e tributária ao processo de transferência.
Instrumentos como holdings familiares, testamentos e doações em vida têm ganhado espaço como alternativas estratégicas para organizar a sucessão. Além de proteger os ativos, essas ferramentas ajudam a mitigar riscos e alinhar expectativas entre os membros da família.
Segundo Hugo Cirne, líder da XP na Paraíba, a falta de planejamento pode levar à diluição do patrimônio, disputas familiares e até rupturas irreversíveis. “Casos emblemáticos mostram sucessões bem conduzidas, que garantiram estabilidade e crescimento, mas também exemplos desorganizados que resultaram em perdas e fragmentações irreparáveis, tornando pessoas muito ricas, pobres e endividadas”, afirma.
Ele ressalta que ainda há resistência em tratar do tema, mas lembra que a tributação é um fator relevante. O Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), por exemplo, é de 4% em São Paulo, enquanto no Ceará chega a 8%. “O ideal é iniciar o planejamento em vida, com apoio de assessoria especializada. Sucessão não deve ser tabu, mas uma decisão estratégica para proteger o legado familiar”, conclui.
