O Ministério Público da Paraíba (MPPB) promove, nesta sexta-feira (28), uma reunião técnica para alinhar ações de prevenção e resposta aos impactos do El Niño 2026–2027 e a outros eventos climáticos extremos no estado.
O encontro é coordenado pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (CAO Meio Ambiente) e reúne representantes de órgãos ligados ao monitoramento climático, Defesa Civil, meio ambiente, Aesa, agricultura, saúde e assistência social, além da Famup.
A intenção é integrar as instituições e criar uma estratégia conjunta para lidar com riscos como estiagem, escassez hídrica, incêndios florestais e impactos sanitários e sociais.
Estado já tem 105 municípios em emergência
Segundo dados da Defesa Civil Estadual apresentados pelo MPPB, 105 municípios paraibanos já estavam em situação de emergência por estiagem até 12 de agosto.
O número não é atribuído diretamente ao El Niño, mas demonstra a vulnerabilidade hídrica que já existe no estado e aumenta a necessidade de planejamento diante das projeções climáticas.
As previsões para o Nordeste apontam possibilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas associadas às condições de El Niño.
Prevenção antes dos eventos extremos
Para a promotora de Justiça Cláudia Cabral Cavalcante, coordenadora do CAO Meio Ambiente, o principal objetivo é antecipar as ações.
A proposta inclui fortalecer o Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil e a Operação Queimadas 2026, além de incentivar os municípios a elaborarem seus próprios planos de contingência.
O MPPB defende que a prevenção deixe de ocorrer apenas em situações emergenciais e passe a integrar uma política permanente de Estado, com monitoramento, planejamento e definição das ações que devem ser adotadas antes, durante e depois de um desastre.
Os encaminhamentos da reunião serão incorporados ao procedimento administrativo conduzido pelo MPPB e poderão orientar a atuação das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente em todo o estado.
O que é o El Niño?
O El Niño é uma fase de aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, acompanhada por alterações na circulação atmosférica. Essas mudanças podem provocar impactos no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes partes do mundo.
Na Paraíba e em outros estados do Nordeste, o fenômeno pode contribuir para condições mais quentes e secas, embora seus efeitos variem de acordo com a região e com outros fatores climáticos.
