CRM-PB cria observatório para monitorar violência contra médicos na Paraíba

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O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) criou o Observatório da Violência contra Médicos na Paraíba. A medida foi oficializada por meio de uma resolução publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (20).

O novo sistema terá como objetivo reunir, analisar e mapear informações sobre agressões sofridas por médicos durante o exercício da profissão. Os dados deverão ser utilizados para orientar ações de prevenção, fiscalização e diálogo com gestores públicos, forças de segurança e o Ministério Público.

Segundo o presidente do CRM-PB, Bruno Leandro, a proposta é identificar os locais e as situações em que os profissionais estão mais expostos à violência.

O observatório será vinculado à Comissão de Defesa das Prerrogativas Médicas do CRM-PB e ficará responsável por organizar e analisar os registros de violência contra médicos no estado.

Unidades de saúde públicas e privadas deverão comunicar ao conselho os casos de agressão ocorridos em suas dependências. O próprio médico também poderá fazer a notificação diretamente ao CRM-PB, mesmo quando a unidade de saúde não tiver registrado a ocorrência.

As notificações serão feitas por meio de um formulário eletrônico.

Nos casos classificados como graves, a comunicação deverá ser feita ao CRM-PB em até 72 horas a partir do momento em que o responsável pela notificação tomar conhecimento do fato. Para as demais ocorrências, o prazo será de até cinco dias úteis.

Entre as situações consideradas graves estão agressões físicas com lesão, uso ou exibição de arma, ameaça de morte ou de lesão grave, violência sexual, privação de liberdade, perseguição ou ameaça reiterada com risco atual, invasão de áreas restritas com risco à integridade física e situações de risco iminente à vida.

A criação do observatório ocorre após levantamento realizado pelo CRM-PB apontar a ocorrência de diferentes tipos de violência contra médicos no estado.

A pesquisa, divulgada em fevereiro de 2026, ouviu 611 médicos em 2025. Segundo os dados, 493 profissionais, ou 80%, afirmaram ter sofrido violência verbal durante o exercício da profissão.

O levantamento também apontou que 381 médicos (62%) relataram ter sofrido violência moral.

Além disso, 58 profissionais (9%) disseram ter sido vítimas de violência física, enquanto 32 (5%) relataram violência sexual. Outros 228 médicos (37%) afirmaram ter passado por situações de discriminação.

Com a criação do observatório, o CRM-PB pretende utilizar os registros para identificar padrões, setores, horários e locais de maior risco e direcionar medidas de prevenção e fiscalização.

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