Uma reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, revelou áudios e vídeos que fazem parte da investigação sobre um suposto esquema criminoso envolvendo policiais civis da Paraíba. As gravações mostram investigadores tratando o tráfico de drogas como um negócio, além de apontarem o desvio de entorpecentes apreendidos e o repasse de informações a integrantes de facções criminosas.
A investigação resultou na prisão, na última terça-feira (2), de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil da Paraíba durante uma operação conjunta.
Entre os principais investigados está o policial civil Everton Aires, conhecido como “Bomba”. Em um dos áudios divulgados pelo Fantástico, ele afirma:
“É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio.”
Em outra gravação, o investigador compara o tráfico de drogas a uma atividade comercial comum.
Segundo as investigações, Everton Aires movimentou mais de R$ 4 milhões nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com seu salário de cerca de R$ 8,5 mil como policial civil. De acordo com o Ministério Público, os recursos teriam origem na revenda de cocaína, crack e skunk desviados de apreensões policiais.
As apurações também indicam que o grupo negociava drogas com facções criminosas e repassava informações sobre operações policiais, permitindo que suspeitos escapassem da ação das autoridades.
Além de Everton Aires, foram presos o investigador Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”, e o delegado Braz Morroni. A investigação começou em maio de 2025, após um traficante denunciar que parte de uma carga de drogas apreendida havia sido desviada por policiais.
De acordo com o Ministério Público, o esquema também beneficiava foragidos da Justiça. Entre eles estaria José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira, investigado por participação em ataques do chamado Novo Cangaço contra bancos e carros-fortes no Nordeste.
O procurador-geral da Paraíba classificou o caso como extremamente grave por envolver agentes públicos responsáveis pelo combate ao crime.
As defesas dos investigados negam as acusações. O advogado de Everton Aires afirmou que o policial não reconhece as imputações. A defesa de Eduardo Jorge sustenta que não há provas de que policiais negociassem drogas de forma aberta. Já a defesa do delegado Braz Morroni afirma que não existem elementos que comprovem sua participação consciente nos fatos investigados.
Áudios revelam suposto esquema de policiais civis com tráfico de drogas na Paraíba
Reportagem exibida pelo Fantástico mostra gravações que embasam investigação sobre desvio de drogas, favorecimento a facções criminosas e corrupção policial
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