Petrobras reajusta querosene de aviação em 55% e passagens aéreas podem subir

Alta do combustível, impulsionada pelo cenário internacional, deve impactar preços e oferta de voos nos próximos meses

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Foto: Reprodução
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A Petrobras anunciou um aumento de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), medida que pode elevar o valor das passagens aéreas no Brasil nos próximos meses. Especialistas apontam que o reajuste acompanha a valorização internacional do petróleo e já gera preocupação entre companhias aéreas e passageiros.

O cenário geopolítico, marcado por tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, tem pressionado os preços globais do petróleo e seus derivados. Como parte do QAV consumido no Brasil está atrelada ao mercado externo, o impacto deve ser sentido em até três meses, segundo análise de especialistas da Universidade Federal de Pernambuco.

Mesmo com contratos de combustível firmados com antecedência, as companhias aéreas podem repassar o aumento aos consumidores antes do previsto, principalmente com a proximidade do período de férias e o aumento da demanda no segundo semestre.

Estimativas indicam que as passagens aéreas podem subir entre 15% e 20%, impulsionadas pelo custo do combustível, que representa cerca de um terço das despesas operacionais das empresas. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas, esse percentual pode chegar a 45% após os recentes reajustes.

Além do aumento nos preços, especialistas alertam para a possibilidade de redução na oferta de voos, cenário já observado em outros países. Com menos voos disponíveis, a taxa de ocupação — atualmente em torno de 90% nas principais companhias brasileiras — tende a aumentar, pressionando ainda mais os preços.

Medidas para reduzir impactos

Para amenizar os efeitos imediatos, a Petrobras propôs um modelo de parcelamento do reajuste para distribuidoras, com aumento inicial limitado a 18% e o restante dividido em parcelas a partir de julho de 2026.

O Ministério de Portos e Aeroportos também encaminhou propostas ao Ministério da Fazenda com medidas para aliviar o setor. Entre elas estão:

  • Redução temporária de tributos sobre o QAV;
  • Diminuição do IOF em operações financeiras das companhias;
  • Redução do Imposto de Renda sobre contratos de leasing de aeronaves;
  • Criação de linha de financiamento temporária com recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac).

Especialistas destacam que a aviação é um serviço essencial no Brasil, especialmente pela falta de alternativas eficientes para viagens de longa distância, sobretudo na região Norte. O atual aumento dos combustíveis também reflete, segundo análises do setor, anos de ausência de políticas estruturais e investimentos consistentes na área.

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