O adolescente que matou Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, foi sentenciado pela Justiça à internação de até três anos por ato infracional análogo a homicídio qualificado. A medida deverá ser reavaliada a cada seis meses.
O jovem, que é natural do Rio Grande do Norte, foi apreendido após se apresentar à Polícia Civil, em Caicó (RN), no dia 28 de julho. Posteriormente, ele foi transferido para João Pessoa. Antes da sentença, o adolescente participou de uma audiência de instrução realizada no dia 31 de agosto.
Na decisão, o juiz Luiz Eduardo Souto considerou qualificadoras relacionadas ao caso, entre elas motivo fútil, associado à discussão sobre pagamento e ao medo de exposição da vida privada; meio cruel, devido ao estrangulamento e à asfixia; e recurso que dificultou a defesa da vítima, já que, segundo a sentença, Washington Rodrigo teria sido imobilizado e atacado sem possibilidade de reação.
Com a determinação, o adolescente deverá permanecer internado por pelo menos seis meses, antes da primeira reavaliação da medida.
O advogado de defesa, Ariolan Fernandes, afirmou em nota que respeita a decisão judicial, mas considera que a medida deve ser reexaminada diante das circunstâncias do caso, do histórico de acompanhamento psicossocial do adolescente e da necessidade de observar os princípios da proporcionalidade e da individualização na resposta socioeducativa.
Segundo a Polícia Civil, o primeiro contato entre o adolescente e Washington Rodrigo ocorreu no dia 23 de julho, quando o jovem chegou a João Pessoa. Ele teria encontrado a vítima por meio de um site de relacionamento e, depois, os dois passaram a conversar por um aplicativo de mensagens. O encontro foi marcado para o dia seguinte.
Na madrugada de 24 de julho, os dois se encontraram em um hotel no bairro de Manaíra. Conforme a investigação, o adolescente afirmou ter se sentido intimidado ao suspeitar que Washington Rodrigo havia registrado parte do momento íntimo entre eles.
Ainda segundo a Polícia Civil, o adolescente utilizou uma pistola de airsoft para obrigar a vítima a fornecer a senha do celular. A defesa afirmou que ele confessou o homicídio e alegou ter agido por medo de ter sua orientação sexual exposta.
De acordo com o relato apresentado à polícia, o adolescente utilizou o cabo de um secador de cabelo para estrangular Washington Rodrigo. Ele afirmou que pretendia apenas deixar a vítima desacordada para conseguir sair do local.
O Instituto de Medicina Legal confirmou que a vítima morreu por asfixia e apresentava sinais de tortura.
Após o crime, o adolescente tentou deixar o hotel utilizando o carro da vítima, mas não conseguiu. Segundo a Polícia Civil, ele deixou o local a pé e posteriormente fez publicações nas redes sociais.
Durante a investigação, os policiais apreenderam uma pistola de airsoft e algemas, objetos que, segundo a corporação, contribuíram para esclarecer a dinâmica do crime. A polícia também informou que não foram encontrados entorpecentes no quarto.
O adolescente se apresentou à Polícia Civil em Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado do advogado de defesa. Após prestar depoimento, foi encaminhado para João Pessoa, onde o caso passou a ser acompanhado pela Delegacia da Infância e da Juventude.
A Polícia Civil informou ainda que o adolescente possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte. Entre os registros estão atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica. Segundo a corporação, ele já havia sido internado anteriormente em uma unidade destinada a menores infratores.
