A Justiça proibiu uma mulher de 36 anos de realizar tratamentos estéticos após ela ser presa suspeita de se passar por médica e realizar procedimentos de risco em pacientes, em João Pessoa. A mulher foi colocada em liberdade após passar por audiência de custódia.
De acordo com o delegado Ademir Fernandes, a decisão judicial determinou que a suspeita não volte a realizar procedimentos estéticos, além de estabelecer outras medidas cautelares. A investigação continua e, segundo a Polícia Civil, cerca de dez vítimas já foram ouvidas, relatando problemas relacionados aos procedimentos realizados pela mulher.
Identificada como Isabela Dantas, a suspeita deve responder, em tese, por estelionato, exercício ilegal da medicina e uso de produtos adulterados. Conforme o delegado, ela também poderá ser autuada por lesão corporal.
Segundo a Polícia Civil da Paraíba, a mulher se apresentava como médica especializada na aplicação de ácido hialurônico e bioestimulador de colágeno. Os procedimentos eram realizados principalmente nas regiões dos glúteos e dos seios.
As investigações apontam que, durante os procedimentos, a suspeita utilizava soro fisiológico e ar, em vez dos produtos que dizia aplicar. A prática poderia expor as pacientes a riscos graves, como embolia gasosa, necrose dos tecidos e infecções.
Algumas vítimas relataram complicações após os procedimentos e precisaram ser encaminhadas para hospitais. Também há relatos de pacientes que teriam desmaiado durante os atendimentos e de mulheres que apresentaram necrose na região dos glúteos.
Uma das vítimas relatou que a mulher se apresentava como esteticista e que realizou diversas aplicações, apresentadas como ácido hialurônico e bioestimulador de colágeno. Segundo a vítima, os procedimentos tinham valores considerados altos e os resultados duravam aproximadamente sete dias.
A suspeita afirmou à imprensa que é formada em estética e que utilizava os materiais de forma correta. Entretanto, segundo a Polícia Civil, ela se apresentava como médica e realizava procedimentos para os quais não teria habilitação.
Ainda conforme as investigações, os procedimentos teriam sido realizados em João Pessoa, Recife, Fortaleza e Natal.
Após a prisão em flagrante, a mulher foi autuada, em tese, pelos crimes de exercício ilegal da medicina, estelionato e falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.
O Conselho Regional de Medicina na Paraíba (CRM-PB) afirmou que procedimentos estéticos de natureza médica, principalmente os invasivos que envolvam injeção de substâncias, implantes, anestesia ou outras intervenções com possibilidade de complicações relevantes, devem ser realizados por médicos devidamente habilitados, em ambiente adequado e seguindo as normas sanitárias e de segurança.
