O crescimento acelerado da inteligência artificial (IA) e da digitalização está impulsionando o consumo de energia em todo o mundo. No Brasil, especialistas alertam para os limites do sistema elétrico atual, que ainda opera com base em modelos tradicionais e pouco flexíveis. A avaliação foi feita durante o Congresso Energia 360 Alagoas, promovido pela Origem Energia, em painel que discutiu os impactos da IA sobre a matriz energética.
Donato Filho, diretor-geral da Volt Robótica, destacou que o perfil de consumo gerado pela IA é instável, com picos de demanda nos períodos de transição solar, exigindo agilidade na resposta energética. “Estamos operando um sistema pensado há décadas para uma realidade que mudou completamente com a digitalização e o avanço dos data centers”, explicou.
Nesse cenário, o Nordeste desponta como protagonista. A região concentra mais de 85% da geração eólica do país e se destaca também na produção solar, com grandes usinas conectadas diretamente ao Sistema Interligado Nacional. A modularidade dos projetos e a velocidade na implantação têm atraído investimentos e demonstrado a capacidade da região em liderar a transição energética brasileira.
Donato defendeu o uso complementar do gás natural para equilibrar a geração nos momentos de baixa das renováveis, mas ressaltou que o setor ainda precisa se adaptar aos novos tempos. “Flexibilidade, agilidade e escala modular são essenciais para atrair investimentos e garantir segurança energética”, disse.
O especialista também criticou o modelo atual de formação de preços, que, segundo ele, desvaloriza a flexibilidade e repassa custos indiretos ao consumidor. “Estamos atrasando os investimentos em armazenamento e inovação por não atualizar a forma como calculamos os custos da energia.”
Apesar dos desafios, o painel reforçou que o Nordeste está preparado para assumir um papel de destaque na nova matriz energética, não apenas pela abundância de recursos naturais, mas também pela capacidade de adaptação e resposta rápida. “Com os investimentos certos, o Nordeste pode se consolidar como o principal polo de energia limpa e segura do Brasil nos próximos anos”, concluiu Donato.
