Uma delegação da Paraíba desembarca na França, nesta terça-feira (8), para participar da edição de 2024 do salão “Ob’Art”, exposição de arte internacional que ocorre na comuna de Saint-Ouen entre os dias 10 e 13 de outubro. Entre os expositores selecionados estão os artesãos paraibanos Alexandre Nogueira e Teresa Júlio. Eles participam do evento a partir de uma parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba (Secult-PB), e que foi intermediada pelo Consulado da França no Recife.
Alexandre Nogueira e Teresa Júlio expõem seus trabalhos fora do país pela primeira vez em suas carreiras e toda a participação dos artistas paraibanos no evento francês é financiada pelo Governo da Paraíba O objetivo principal da ação é fortalecer o intercâmbio cultural e a presença das artes paraibanas no exterior, e também promover um primeiro passo em uma maior circulação artística de paraibanos com vistas ao Ano Brasil-França, que vai acontecer em 2025 através da promoção conjunta entre os dois países.
Pedro Santos, que é secretário de Estado da Cultura da Paraíba, atesta o pioneirismo da ação e destaca que é missão de uma gestão tão sensível à cultura promover esse tipo de intercâmbio. Um movimento que já acontece a partir de editais como o Arte na Bagagem, por exemplo, mas que pouco a pouco ganha novos mecanismos de fomento.
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“O Ano Brasil-França 2025 nos permite um maior diálogo com o governo francês e com entidades voltadas à cultura do país europeu. Então é mais do que óbvio que a Paraíba quer fazer parte desse processo, desse momento de maior proximidade, tão afeito ao intercâmbio e à circulação artística. Queremos levar artistas paraibanos para a França, e queremos igualmente receber artistas franceses em nossa terra”, destacou o secretário.
Ele pontua também que a ida dos dois artesãos para o salão de artes na França é apenas uma primeira iniciativa de uma série de eventos e atividades que serão realizados nos próximos meses. “Estamos, desde maio, quando uma primeira missão paraibana desembarcou em Paris, em diálogos constantes com autoridades francesas. Vem muito mais por aí”, comemorou.
Moradora de Cabedelo, Teresa Júlio trabalha há 19 anos com a ressignificação de escamas de peixes na produção de biojoias. A artesã se emociona ao falar sobre uma peça sua exposta na França e destaca que ela viaja representando toda uma técnica do artesanato paraibano. “Quem está viajando não é apenas Teresa Júlio, mas todas as mulheres que trabalham com escama de peixe na Paraíba. Quero mostrar ao mundo o que sabemos fazer por aqui”.
De uma cidade portuária, que tem na pesca artesanal uma de suas principais fontes econômicas, Teresa explica que a ideia é reaproveitar as escamas de peixes, de todas as espécies que são pescadas no cotidiano da cidade. “A nossa idealização é que nenhuma escama seja perdida ou jogada no meio ambiente, e sim transformada em arte”, completou.
Já Alexandre Nogueira é de João Pessoa e trabalha com uma técnica denominada de marchetaria, que é o reaproveitamento de madeiras para produzir suas obras. E é justamente por causa de sua especialidade que ele se diz tão empolgado com a viagem. Para além de ser uma grande oportunidade de expor seu trabalho num grande salão internacional, ele se diz atento às possibilidades de intercâmbio.
“As expectativas são as melhores possíveis porque a França é considerada um dos principais centros de marchetaria do mundo. Tem uma escola bem firme e consistente lá. Então é sempre bom a gente ter acesso a esse conhecimento, a essa troca. É um momento enriquecedor na vida do artesão você dividir novas experiências, conhecer novas pessoas, ampliar seus horizontes, sua rede de contatos”, refletiu.
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